O que é probabilidade condicional
A probabilidade condicional mede a chance de um evento A quando já se sabe que outro evento,B, aconteceu. A notação é P(A | B), lida como "probabilidade de A dado B". A ideia é simples: a informação nova encolhe o universo de casos possíveis. Em vez de olhar para todos os resultados, você olha só para aqueles em que B ocorreu e pergunta em quantos deles A também ocorreu.
P(A | B) = P(A e B) ÷ P(B), com P(B) > 0
O mesmo raciocínio dá a regra do produto, muito usada em sorteios sem reposição: P(A e B) = P(B) × P(A | B).
Exemplo 1: pela probabilidade conjunta
Numa empresa, 30% dos funcionários falam inglês (A), 40% têm pós-graduação (B) e 18% têm as duas coisas. Sorteando alguém com pós-graduação, qual a chance de falar inglês?
- P(A | B) = 0,18 ÷ 0,40 = 45%
- No sentido contrário, P(B | A) = 0,18 ÷ 0,30 = 60%
Como 45% é diferente dos 30% gerais, os eventos não são independentes: ter pós aumenta a chance de falar inglês nesse grupo.
Exemplo 2: teorema de Bayes e o exame positivo
Quando a informação disponível está "ao contrário" (você sabe P(B | A), mas quer P(A | B)), entra o teorema de Bayes. O denominador P(B) é obtido pela lei da probabilidade total:
P(A | B) = P(B | A) × P(A) ÷ [P(B | A) × P(A) + P(B | não A) × P(não A)]
Suponha uma doença que atinge 1% da população e um exame que dá positivo em 95% dos doentes, mas também em 5% das pessoas saudáveis. Alguém testou positivo: qual a chance de estar doente?
- P(positivo e doente) = 0,95 × 0,01 = 0,0095
- P(positivo e saudável) = 0,05 × 0,99 = 0,0495
- P(positivo) = 0,0095 + 0,0495 = 0,059
- P(doente | positivo) = 0,0095 ÷ 0,059 ≈ 16,1%
O número surpreende muita gente: como a doença é rara, a maioria dos positivos vem dos 99% saudáveis. Pensando em 10.000 pessoas, são 95 doentes com positivo contra 495 saudáveis com positivo. É por isso que exames de triagem costumam ser confirmados por um segundo teste.
O exemplo é didático. Prevalência, sensibilidade e especificidade de um exame real variam com o laboratório e o paciente; a interpretação de resultados é sempre do médico.
Exemplo 3: tabela de contingência
Com dados contados (pesquisa, planilha de vendas), monte uma tabela 2 × 2. Em 200 clientes de uma loja, A = comprou e B = viu o anúncio:
| Viu o anúncio (B) | Não viu | Total | |
|---|---|---|---|
| Comprou (A) | 30 | 20 | 50 |
| Não comprou | 70 | 80 | 150 |
| Total | 100 | 100 | 200 |
P(comprou | viu) = 30 ÷ 100 = 30%; P(comprou | não viu) = 20 ÷ 100 = 20%. Basta dividir pela soma da coluna (ou da linha) da condição. Atenção: a tabela mostra associação, não prova que o anúncio causou as compras.
Outras contas de probabilidade
Para a chance de um evento simples, de "A e B" ou "A ou B" e de tentativas repetidas, use acalculadora de probabilidade. Para contar casos possíveis com combinações e arranjos, veja a calculadora de análise combinatória.